1. A LISTA - 0swaldo Montenegro
2. A NATUREZA DAS COISAS - Inah Caldeiras
3. AMOR PARA RECOMEÇAR - Frejat
4. DESABAFO – Marcelo D2
5. EM TUDO QUE É BELO - Jorge Vercílio
6. HE MAN – Luciano Nassayn
7. MAIS UMA VEZ - Renato Russo
8. MONTE CASTELO - Legião Urbana
9. NADA SERÁ COMO ANTES - Milton Nascimento
10. PENSAMENTO - Cidade Negra
11. RODA VIVA – Chico Buarque
12. TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR - Benito de Paula
13. VIDA - Maria Juça , Roger Kedyh
A Lista
Oswaldo Montenegro
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Música: A Natureza das Coisas
Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta da tua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa no primeiro passo
A natureza não tem pressa segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar
Amor Pra Recomeçar
Frejat
Eu te desejo não parar tão cedo
pois toda idade tem prazer e medo
e com os que erram feio e bastante
que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado
ainda exista amor pra recomeçar,
pra recomeçar
Eu te desejo muitos amigos
mas que em um você possa confiar
e que tenha até inimigos
pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar...
Desejo que você ganhe dinheiro
pois é preciso viver também
e que você diga a ele pelo menos uma vez
quem é mesmo o dono de quem
Desejo que você tenha a quem amar...
DESABAFO (Marcelo D2)
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Segura!!!
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Eu já falei que tenho algo a dizer, e disse
Que falador passa mal, e você me disse
Que cada um vai colher o que plantou
Porque raiz sem alma, como o Flip falo, é triste
A minha busca na batida perfeita
Sei que nem tudo ta certo, mas com calma se ajeita
Por um, mundo melhor eu mantenho minha fé
Menos desigualdade, menos tiro no pé
Andam dizendo que o bem vence o mal
Por aqui vou torcendo pra chegar no final
É, quanto mais fé, mais religião
A mão que mata, reza, reza ou mata em vão
Me contam coisas como se fossem corpos,
Ou realmente são corpos, todas aquelas coisas
Deixa pra lá eu devo ta viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai se matando
Então
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Ok, então vamo lá, diz
Tu quer a paz, eu quero também,
Mas o estado não tem direito de matar ninguém
Aqui não tem pena morte mas segue o pensamento
O desejo de matar de um Capitão Nascimento
Que sem treinamento se mostra incompetente
O cidadão por outro lado se diz, impotente, mas
A impotência não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade
Hein??
Que você tem e mente, se é que tem algo em mente
Porque a bala vai acabar ricocheteando na gente
Grandes planos, paparazzo demais
O que vale é o que você tem, e não o que você faz
Celebridade é artista, artista que não faz arte
Lava mão como Pilatos achando que já fez sua parte
Deixa pra lá, eu continuo viajando
Enquanto eu falo besteira nego vai, vai
Então deixa...
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Deixa, deixa, deixa
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Em Tudo que é Belo
Jorge Vercilo
Eu ainda acredito
Num futuro mais bonito
Que o novo é bem vindo
E o amor é infinito
Eu ainda acredito
Que nem tudo está perdido
Que o sorriso é sagrado
E aqui é o paraíso
E que tudo estava errado
Sobre o dia do juízo
Eu ainda acredito
No carinho ao invés do grito
Na doçura dos meninos
Que no fundo todos somos
Eu ainda acredito
Nos heróis adormecidos
Nessa força que revolta
E nos faz ficar erguidos
Cada vez que nos sentimos
derrotados e punidos
Eu ainda acredito
Que depois da tempestade
Sempre vem a calmaria
E consigo a liberdade
Eu ainda acredito
Em objetos luminosos
Que há vida no universo,
Outras luas, outros povos
Eu ainda acredito...
Eu ainda acredito
Nas florestas e nos índios
Na bravura das leoas
Na alegria dos golfinhos
Eu ainda acredito
No galope do unicórnio
Acredito em gnomos
E no vôo dos tucanos
E no canto das baleias
Alegrando os oceanos...
Eu ainda acredito
Na justiça lá de cima
Na verdade e na vida
Como som de uma rima
E em tudo que é belo
E em tudo que é nobre
Como as cores do arco-íris
Quando a chuva se descobre
E agradece iluminada pelo
Sol de ouro e cobre
Sei talvez eu seja visto
Como ingênuo, demagogo
Inocente ou pervertido
Um hipócrita, um louco
No entanto eu insisto
Nesta chama que consome
Eu ainda acredito porque
Sofro com a fome
Porque ainda sou um homem
HE-MAN
Luciano Nassayn
No mundo de Etérnia bem distante daqui
Na luta pela paz um guardião vai surgir
A força e a coragem, ele nasceu para o bem
Os músculos de aço nosso herói é He-man
Aponta para o céu a sua espada brilhar
E entre ráios e trovões um campeão nascerá
Pacato o seu tigre vira o Gato-Guerreiro
Na luta da justiça se entregar por inteiro
(REFRÃO)
Eu tenho a força
Sou invencível
Vamos amigos
Unidos venceremos a semente do mau
(bis)
La la la la la la la la la la la
La la la la la la la la la la He-man
(bis)
Pelos poderes de Greyskull!
Mandibula, Maligna e as forças do mau
O plano do esqueleto poderá ser fatal
Segredos do castelo ele quer conseguir
Planeja mil trapaças nunca vai desistir
Zoar, Mentor e Thella são as forças do bem
Amigos da verdade eles não temem ninguém
O Gorfo gira... gira... pro feitiço quebrar
He-man com sua espada faz a guerra acabar
(REFRÃO)
Nada será como antes amanhã
Milton Nascimento
Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Um domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
RODA VIVA – CHICO BUARQUE
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo...
Tudo Está No Seu Lugar
Benito Di Paula
Tudo está no seu lugar
Graças a Deus, graças a Deus
Não devemos esquecer de dizer
Graças a Deus, graças a Deus
Tudo está no seu lugar
Graças a Deus, graças a Deus
Não devemos esquecer de dizer
Graças a Deus, graças a Deus
Quero ver o sorriso estampado
Pela cara dessa gente
Quero ver quem vai, quem fica
Ou quem chega de repente
Quando chego do trabalho
Digo a Deus: Muito obrigado
Canto samba a noite inteira
No domingo e feriado
VIDA
(Maria Juça ,Roger Kedyh)
Vida, vida é assim
Vida, vida é assim
Vida,vida humana
(refrão 2 vezes)
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida , Vida é vivida
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é sonho e paixão
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida , Vida vadia
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é sonho e paixão
... é cor e confusão
... é sonho e paixão
êh! ôh! Lelê!
êh! ôh! LaLa!
VIDA
(Maria Juça ,Roger Kedyh)
Vida, vida é assim
Vida, vida é assim
Vida,vida humana
(refrão 2 vezes)
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida , Vida é vivida
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é sonho e paixão
Vida é alegria
Vida me dá prazer
Vida é a luz do dia
Vida , Vida vadia
Vida é o amor
Vida é cor e confusão
Vida é sonho e paixão
... é cor e confusão
... é sonho e paixão
êh! ôh! Lelê!
êh! ôh! LaLa!
domingo, 9 de agosto de 2009
Mensagens
Abraçar o novo
A lagosta vive tranqüilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, sua casa ficou pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano.
Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim. Muitas vezes, ao longo da vida, nós ficamos prisioneiros das carapaças que são hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos mas que, exauridas e desgastadas, nada mais têm para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acostumando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar.
Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver por mais um ano.
Texto de Luis Pellegrini, publicado na revista destino – maio/2001.
A lagosta vive tranqüilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, sua casa ficou pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano.
Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim. Muitas vezes, ao longo da vida, nós ficamos prisioneiros das carapaças que são hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos mas que, exauridas e desgastadas, nada mais têm para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acostumando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar.
Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver por mais um ano.
Texto de Luis Pellegrini, publicado na revista destino – maio/2001.
sábado, 8 de agosto de 2009
Memorial
Enimara Lins
Meu nome é Enimara Ferreira da Silva Lins. Nasci em Ipupiara - Bahia, cidade localizada na Chapada Diamantina, onde morei até os dezessete anos de idade, vivenciei minha infância, fui alfabetizada e cursei o “primário” e o “ginásio” (denominações daquela época para o Ensino Fundamental e Médio), concluindo o magistério no ano de mil novecentos e oitenta e oito, quando, por motivos familiares, tive que mudar para Juazeiro / Bahia, cidade onde fixei moradia, constitui família e me profissionalizei, a qual estou residindo até hoje.
Estudei, durante toda a educação básica, em escolas públicas, onde tive a oportunidade de conviver e aprender com grandes mestres, profissionais comprometidos, que dedicaram uma vida para a educação, os quais não nomearei, sob pena de deixar de lembrar de algum deles, pois, todos ficaram e permanecerão presentes no âmago das minhas lembranças e recordações, sendo imensamente reconhecidos em cada conquista e vitória que permeiam minha trajetória profissional. A todos os mestres que contribuíram com minha formação acadêmica minha eterna gratidão.
Recordo-me bem do meu primeiro contato com a escola aos cinco anos de idade, quando, por força das circunstâncias fui alfabetizada. Lembro – me exatamente do cenário como se estivesse em loco: uma sala comprida, único cômodo, localizada em um beco (é assim que chamavam aquela viela) ao fundo de uma Igreja Batista do Sr. Artur (O líder da igreja que cedia o espaço para a sala de aula), uma mesa enorme ao centro, rodeada de bancos igualmente compridos, muitas crianças (de diferentes idades), ao redor da mesa. A professora? Uma autoridade! Venerada por todos da comunidade! Uma pequena lousa de compensado de cor verde, gizes brancos e coloridos, Posso visualizar a cartilha, os textos que nela continham os desenhos, principalmente o da foca com a bola e o das borboletas, primeiras palavras que li sozinha, de verdade!! E os exercícios pontilhados? A enorme régua que a professora trazia sempre em punho! Foi ali, naquela sala, sob a eficiência e rigidez da professora, naquele beco que era caminho da casa de farinha do meu avô materno, onde por curiosidade, entrava todos os dias, aos cinco anos de idade, que descobri a magia da leitura, o significado das letras.
Não sei como, mas permaneci na escola mesmo não tendo idade para fazê-lo. As séries seguintes, cursei no Prédio Escolar, local onde faço questão de olhar, visitar, contemplar, sempre que visito Ipupiara. Ali continha não apenas salas de aula, mas uma história de vida que foi narrada inúmeras vezes por minha avó materna, que havia morado naquele local por algum tempo, em função das dificuldades que enfrentara no período, quando eu ainda era recém-nascida.
Coincidentemente, foi ali, no mesmo prédio que concluí o magistério no ano de mil novecentos e oitenta e oito, quando o Centro Educacional Cenecista de Ipupiara, (colégio onde estudei da quinta ao terceiro ano), teve que ser removido para o referido prédio, para devolver ao estado o espaço físico onde o colégio funcionava, pois estaria sendo implantado um novo colégio estadual na cidade, no espaço onde funcionara a escola.
O fato é que sempre gostei muito de estudar. No primário, sempre me destaquei entre os colegas, o boletim sempre foi exibido para a família com excelentes notas, as festas e datas comemorativas sempre tinha uma apresentação com minha participação. Um fato marcante que registra esta afirmação se deu quando cursava a segunda série, tinha sete anos de idade e fui escolhida para recitar uma poesia. Era a comemoração do dia sete de setembro, inauguração da sede nova da Prefeitura Municipal, portanto data especial. A poesia tinha treze estrofes e a responsabilidade era imensa, pois tinha que recitar, conforme “manda o figurino”, pois, ali havia, além da platéia ( a cidade inteira mais convidados), a exigência da professora , que depositara em mim total confiança. Os ensaios foram inúmeros, sabatina da professora, confronto com o espelho, enfim... No dia do evento, quando fui anunciada no microfone, as pernas tremiam! Mas não exitei. Dirigi-me até o palco, onde já se encontrava além das autoridades, a professora, com o microfone na mão. A tensão foi grande! A professora aproximou-se de mim e disse: você é capaz! Sei que vai fazer bonito! Foram exatamente estas palavras que ouvi, (e daí em diante, não me recordo de uma palavra sequer que pronunciei), apenas das treze estrofes, do papel sujo e amassado onde continha o registro que li e reli inúmeras vezes, e,dos fortes aplausos durante alguns minutos que sucederam minha apresentação.
Este fato foi marcante em minha vida, pois vi naquele enorme papel com treze estrofes, na responsabilidade que assumira com a escola, e em mim mesma, a possibilidade de desafio e superação que estava posta na fragilidade de uma garota de sete anos. Impressiona-me ao recordar este fato, reconhecer a importância das palavras proferidas pela professora naquele momento, para o resultado positivo que todos esperavam. Hoje, quando estou frente a um obstáculo, procuro reviver na memória aquele momento e sempre que tenho oportunidade, procuro praticar a terapia do reconhecimento e encorajamento com aqueles que estão ao meu redor, por compreender, baseada na experiência que obtive, o quanto uma palavra pode significar, positiva ou negativamente, na vida de um ser humano.
Após a formação básica, já morando em Juazeiro, iniciei minha vida profissional, em 1988, em uma escola particular, considerada uma das melhores escolas de Educação Infantil, localizada no outro lado do Rio, na cidade de Petrolina – PE. Trabalhei com crianças de Educação Infantil em todas as etapas. Neste período, pude colocar em prática muito do que tinha visto na minha formação no magistério e ampliar consideravelmente os conhecimentos anteriores, principalmente no campo da educação infantil. Foi uma experiência enriquecedora e prazerosa, que vivenciei durante nove anos. Muito do que hoje sou profissionalmente, aprendi naquela escola. Grandes amigos lá conheci. Jamais esquecerei esta fase tão preciosa e significativa de minha vida!
O ano de mil novecentos e noventa, foi um marco na vida profissional. Neste ano, prestei vestibular para Letras na UPE/FFPP ( Faculdade de Formação de Professores de Petrolina), fui aprovada, e, em mil novecentos e noventa e um ingressei-me na Universidade. Trabalhava no diurno e estudava no turno noturno. Concluí o curso em mil novecentos e noventa e cinco (1º semestre).
Em 1998, fui convocada para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação de Juazeiro, após aprovação em concurso público. Comecei trabalhando com alunos de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries), migrando para alunos de 5ª a 8ª séries, em seguida tive uma experiência como Coordenadora Pedagógica, Gestão Escolar, EJA (Educação de Jovens e Adultos). Atualmente estou como formadora do GESTAR, experiência valiosíssima! Muito tenho aprendido no contato com colegas, profissionais, que atuam na área de Língua Portuguesa, bem como nas formações e estudos proporcionados pelo programa.
Almejava ingressar na Rede Estadual de Educação, e, em 1999, prestei concurso público na rede, sendo aprovada para atuar no Ensino Médio na disciplina de Língua Portuguesa, iniciando minhas atividades em junho de 2000. Trabalhei durante oito anos em um colégio de grande porte como professora. Atualmente estou atuando como gestora, uma experiência árdua, em virtude dos grandes problemas que afetam a educação pública. Gerenciar uma escola pública tem sido para mim uma das mais difícies tarefas a qual me confrontei durante 21 anos atuando em educação. Um desafio, desafiador!
Atuei também no PROGRAPE (Programa de Formação de Professores de Pernambuco – UPE/FFPP. Deslocava-me de Juazeiro-Ba para Santa Maria da Boa Vista, 150 km de distância para ministrar aulas para professores que não tinham graduação, em um programa específico para esta categoria de profissionais. Trabalhava com Língua Portuguesa e Metodologia da Língua Portuguesa. Foi um período bastante enriquecedor, trabalhava com profissionais de larga experiência , que atuavam em escolas da sede e da zona rural. Conheci diversas realidades, diferentes práticas e, conseqüentemente, inúmeras dificuldades no exercício da profissão eram vivenciadas pelo grupo de 45 educadores inscritos no programa.
Em 2000, fiz Especialização em Educação de Jovens e Adultos ( UNEB). Uma das grandes conquistas, no que se refere ao meu crescimento profissional, ampliei meus conhecimentos específicos quanto ao estudo das Teorias Educacionais.Com as reflexões nos encontros, revi algumas concepções, conseqüentemente, confrontei-me com grandes dicotomias, no entanto, sem perder o encanto e a crença na transformação da sociedade através da educação.
Em 2009, fui convidada para atuar como formadora do GESTAR. Inicialmente, resisti, por compreender a responsabilidade a qual estaria abraçando, afinal, teria o contato direto com professores de larga experiência e qualificação. No entanto, coloquei-me a disposição do novo desafio, onde estou tendo a oportunidade de conhecer várias pessoas, trocar experiências e assim, aprender bastante. Está sendo uma fase de muita leitura e produção intelectual. E um ano atípico, pois, todo estudo teórico e prático, vista nas oficinas do GESTAR no ano anterior quando participei do programa como cursista, está sendo processada e adequada para os encontros e oficinas, desta vez, atuando como formadora. Nos encontros com as cursistas estou tendo a oportunidade de discutir, refletir, ouvir opiniões e experiências. Desta forma, meu processo de formação, auto-formação do conhecimento está sendo concreto, dinâmico e significativo. A vivência do GESTAR, como professora/formadora, permite-me experienciar efetivamente na prática o que é ser um professor pesquisador.
Considero-me uma profissional comprometida com o ensino da língua, e, principalmente com a qualidade social da educação, a qual, a escola deve estar imbuída em oferecer.
A leitura e a escrita me fascinam, a educação me embriaga. Dedico muitas tardes e longas noites ao estudo e a pesquisa; horas de feriados, domingos de muito trabalho.
Aprender, pra mim, não é uma atividade vinculada apenas ao exercício da profissão a qual abracei. É questão de necessidade interior, de auto-realização.
Este momento de rememorar minha história de vida leitora e escritora, esta retrospectiva, foi um momento valiosíssimo, emocionante, marcante. Jamais imaginaria que fatos tão remotos, viriam à tona com tanta veracidade, relevância, significado e emoção.
Um momento íntimo, ímpar, de inúmeras aprendizagens a qual, oportunamente, sou grata ao Gestar, a formadora da UnB, professora Valquíria, e a todos vocês que estarão em contato com um recorte destas experiências socializadas neste espaço.
Juazeiro, 27 de julho de 2009
Meu nome é Enimara Ferreira da Silva Lins. Nasci em Ipupiara - Bahia, cidade localizada na Chapada Diamantina, onde morei até os dezessete anos de idade, vivenciei minha infância, fui alfabetizada e cursei o “primário” e o “ginásio” (denominações daquela época para o Ensino Fundamental e Médio), concluindo o magistério no ano de mil novecentos e oitenta e oito, quando, por motivos familiares, tive que mudar para Juazeiro / Bahia, cidade onde fixei moradia, constitui família e me profissionalizei, a qual estou residindo até hoje.
Estudei, durante toda a educação básica, em escolas públicas, onde tive a oportunidade de conviver e aprender com grandes mestres, profissionais comprometidos, que dedicaram uma vida para a educação, os quais não nomearei, sob pena de deixar de lembrar de algum deles, pois, todos ficaram e permanecerão presentes no âmago das minhas lembranças e recordações, sendo imensamente reconhecidos em cada conquista e vitória que permeiam minha trajetória profissional. A todos os mestres que contribuíram com minha formação acadêmica minha eterna gratidão.
Recordo-me bem do meu primeiro contato com a escola aos cinco anos de idade, quando, por força das circunstâncias fui alfabetizada. Lembro – me exatamente do cenário como se estivesse em loco: uma sala comprida, único cômodo, localizada em um beco (é assim que chamavam aquela viela) ao fundo de uma Igreja Batista do Sr. Artur (O líder da igreja que cedia o espaço para a sala de aula), uma mesa enorme ao centro, rodeada de bancos igualmente compridos, muitas crianças (de diferentes idades), ao redor da mesa. A professora? Uma autoridade! Venerada por todos da comunidade! Uma pequena lousa de compensado de cor verde, gizes brancos e coloridos, Posso visualizar a cartilha, os textos que nela continham os desenhos, principalmente o da foca com a bola e o das borboletas, primeiras palavras que li sozinha, de verdade!! E os exercícios pontilhados? A enorme régua que a professora trazia sempre em punho! Foi ali, naquela sala, sob a eficiência e rigidez da professora, naquele beco que era caminho da casa de farinha do meu avô materno, onde por curiosidade, entrava todos os dias, aos cinco anos de idade, que descobri a magia da leitura, o significado das letras.
Não sei como, mas permaneci na escola mesmo não tendo idade para fazê-lo. As séries seguintes, cursei no Prédio Escolar, local onde faço questão de olhar, visitar, contemplar, sempre que visito Ipupiara. Ali continha não apenas salas de aula, mas uma história de vida que foi narrada inúmeras vezes por minha avó materna, que havia morado naquele local por algum tempo, em função das dificuldades que enfrentara no período, quando eu ainda era recém-nascida.
Coincidentemente, foi ali, no mesmo prédio que concluí o magistério no ano de mil novecentos e oitenta e oito, quando o Centro Educacional Cenecista de Ipupiara, (colégio onde estudei da quinta ao terceiro ano), teve que ser removido para o referido prédio, para devolver ao estado o espaço físico onde o colégio funcionava, pois estaria sendo implantado um novo colégio estadual na cidade, no espaço onde funcionara a escola.
O fato é que sempre gostei muito de estudar. No primário, sempre me destaquei entre os colegas, o boletim sempre foi exibido para a família com excelentes notas, as festas e datas comemorativas sempre tinha uma apresentação com minha participação. Um fato marcante que registra esta afirmação se deu quando cursava a segunda série, tinha sete anos de idade e fui escolhida para recitar uma poesia. Era a comemoração do dia sete de setembro, inauguração da sede nova da Prefeitura Municipal, portanto data especial. A poesia tinha treze estrofes e a responsabilidade era imensa, pois tinha que recitar, conforme “manda o figurino”, pois, ali havia, além da platéia ( a cidade inteira mais convidados), a exigência da professora , que depositara em mim total confiança. Os ensaios foram inúmeros, sabatina da professora, confronto com o espelho, enfim... No dia do evento, quando fui anunciada no microfone, as pernas tremiam! Mas não exitei. Dirigi-me até o palco, onde já se encontrava além das autoridades, a professora, com o microfone na mão. A tensão foi grande! A professora aproximou-se de mim e disse: você é capaz! Sei que vai fazer bonito! Foram exatamente estas palavras que ouvi, (e daí em diante, não me recordo de uma palavra sequer que pronunciei), apenas das treze estrofes, do papel sujo e amassado onde continha o registro que li e reli inúmeras vezes, e,dos fortes aplausos durante alguns minutos que sucederam minha apresentação.
Este fato foi marcante em minha vida, pois vi naquele enorme papel com treze estrofes, na responsabilidade que assumira com a escola, e em mim mesma, a possibilidade de desafio e superação que estava posta na fragilidade de uma garota de sete anos. Impressiona-me ao recordar este fato, reconhecer a importância das palavras proferidas pela professora naquele momento, para o resultado positivo que todos esperavam. Hoje, quando estou frente a um obstáculo, procuro reviver na memória aquele momento e sempre que tenho oportunidade, procuro praticar a terapia do reconhecimento e encorajamento com aqueles que estão ao meu redor, por compreender, baseada na experiência que obtive, o quanto uma palavra pode significar, positiva ou negativamente, na vida de um ser humano.
Após a formação básica, já morando em Juazeiro, iniciei minha vida profissional, em 1988, em uma escola particular, considerada uma das melhores escolas de Educação Infantil, localizada no outro lado do Rio, na cidade de Petrolina – PE. Trabalhei com crianças de Educação Infantil em todas as etapas. Neste período, pude colocar em prática muito do que tinha visto na minha formação no magistério e ampliar consideravelmente os conhecimentos anteriores, principalmente no campo da educação infantil. Foi uma experiência enriquecedora e prazerosa, que vivenciei durante nove anos. Muito do que hoje sou profissionalmente, aprendi naquela escola. Grandes amigos lá conheci. Jamais esquecerei esta fase tão preciosa e significativa de minha vida!
O ano de mil novecentos e noventa, foi um marco na vida profissional. Neste ano, prestei vestibular para Letras na UPE/FFPP ( Faculdade de Formação de Professores de Petrolina), fui aprovada, e, em mil novecentos e noventa e um ingressei-me na Universidade. Trabalhava no diurno e estudava no turno noturno. Concluí o curso em mil novecentos e noventa e cinco (1º semestre).
Em 1998, fui convocada para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação de Juazeiro, após aprovação em concurso público. Comecei trabalhando com alunos de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries), migrando para alunos de 5ª a 8ª séries, em seguida tive uma experiência como Coordenadora Pedagógica, Gestão Escolar, EJA (Educação de Jovens e Adultos). Atualmente estou como formadora do GESTAR, experiência valiosíssima! Muito tenho aprendido no contato com colegas, profissionais, que atuam na área de Língua Portuguesa, bem como nas formações e estudos proporcionados pelo programa.
Almejava ingressar na Rede Estadual de Educação, e, em 1999, prestei concurso público na rede, sendo aprovada para atuar no Ensino Médio na disciplina de Língua Portuguesa, iniciando minhas atividades em junho de 2000. Trabalhei durante oito anos em um colégio de grande porte como professora. Atualmente estou atuando como gestora, uma experiência árdua, em virtude dos grandes problemas que afetam a educação pública. Gerenciar uma escola pública tem sido para mim uma das mais difícies tarefas a qual me confrontei durante 21 anos atuando em educação. Um desafio, desafiador!
Atuei também no PROGRAPE (Programa de Formação de Professores de Pernambuco – UPE/FFPP. Deslocava-me de Juazeiro-Ba para Santa Maria da Boa Vista, 150 km de distância para ministrar aulas para professores que não tinham graduação, em um programa específico para esta categoria de profissionais. Trabalhava com Língua Portuguesa e Metodologia da Língua Portuguesa. Foi um período bastante enriquecedor, trabalhava com profissionais de larga experiência , que atuavam em escolas da sede e da zona rural. Conheci diversas realidades, diferentes práticas e, conseqüentemente, inúmeras dificuldades no exercício da profissão eram vivenciadas pelo grupo de 45 educadores inscritos no programa.
Em 2000, fiz Especialização em Educação de Jovens e Adultos ( UNEB). Uma das grandes conquistas, no que se refere ao meu crescimento profissional, ampliei meus conhecimentos específicos quanto ao estudo das Teorias Educacionais.Com as reflexões nos encontros, revi algumas concepções, conseqüentemente, confrontei-me com grandes dicotomias, no entanto, sem perder o encanto e a crença na transformação da sociedade através da educação.
Em 2009, fui convidada para atuar como formadora do GESTAR. Inicialmente, resisti, por compreender a responsabilidade a qual estaria abraçando, afinal, teria o contato direto com professores de larga experiência e qualificação. No entanto, coloquei-me a disposição do novo desafio, onde estou tendo a oportunidade de conhecer várias pessoas, trocar experiências e assim, aprender bastante. Está sendo uma fase de muita leitura e produção intelectual. E um ano atípico, pois, todo estudo teórico e prático, vista nas oficinas do GESTAR no ano anterior quando participei do programa como cursista, está sendo processada e adequada para os encontros e oficinas, desta vez, atuando como formadora. Nos encontros com as cursistas estou tendo a oportunidade de discutir, refletir, ouvir opiniões e experiências. Desta forma, meu processo de formação, auto-formação do conhecimento está sendo concreto, dinâmico e significativo. A vivência do GESTAR, como professora/formadora, permite-me experienciar efetivamente na prática o que é ser um professor pesquisador.
Considero-me uma profissional comprometida com o ensino da língua, e, principalmente com a qualidade social da educação, a qual, a escola deve estar imbuída em oferecer.
A leitura e a escrita me fascinam, a educação me embriaga. Dedico muitas tardes e longas noites ao estudo e a pesquisa; horas de feriados, domingos de muito trabalho.
Aprender, pra mim, não é uma atividade vinculada apenas ao exercício da profissão a qual abracei. É questão de necessidade interior, de auto-realização.
Este momento de rememorar minha história de vida leitora e escritora, esta retrospectiva, foi um momento valiosíssimo, emocionante, marcante. Jamais imaginaria que fatos tão remotos, viriam à tona com tanta veracidade, relevância, significado e emoção.
Um momento íntimo, ímpar, de inúmeras aprendizagens a qual, oportunamente, sou grata ao Gestar, a formadora da UnB, professora Valquíria, e a todos vocês que estarão em contato com um recorte destas experiências socializadas neste espaço.
Juazeiro, 27 de julho de 2009
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